21 de junho de 2021
Cientista suspeito de espionar para Rússia é detido na Alemanha
Reprodução/Generalbundesanwalt
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Por: France Presse
O Ministério Público da Alemanha anunciou nesta segunda-feira (21) a prisão de um cientista acusado de passar para a Rússia informações sensíveis de uma universidade do país, em troca de dinheiro.
Identificado como Ilnur N., o suspeito foi detido na sexta-feira (18) por “trabalhar para um serviço secreto russo pelo menos desde o início de outubro de 2020”, informou o órgão em um comunicado.
O homem, que trabalhava como assistente de pesquisa em uma universidade alemã, teria se reunido “pelo menos três vezes” com um agente dos serviços russos de Inteligência.
Em pelo menos dois desses encontros, ele “deu informações” sobre a universidade e “recebeu quantias de dinheiro em troca”, acrescentou.
O MP não deu mais detalhes sobre este homem, nem sobre a universidade para a qual trabalhava. A polícia realizou uma operação de busca na casa e no local de trabalho do suposto espião, que compareceu no sábado perante a Justiça e foi colocado em prisão preventiva.
Questionada sobre isso em uma coletiva de imprensa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores não quis comentar o caso. A Rússia também não reagiu a essa detenção, que ameaça complicar ainda mais as já tensas relações entre os países pelo conflito na Ucrânia e pelas acusações de ciberespionagem contra Moscou.
A tentativa de envenenamento do opositor Alexei Nalvany em agosto passado, pela qual governos ocidentais responsabilizam a Rússia, também contribuiu para piorar ainda mais as relações.
Quando estava em coma, Navalny foi transferido para um hospital de Berlim, onde médicos alemães diagnosticaram um envenenamento por uma substância do tipo Novitchok. Este produto neurotóxico foi desenvolvido para fins militares na época soviética.
Angela Merkel e Vladimir Putin mantiveram uma relação difícil, apesar de a chanceler, que deixará o cargo após as eleições legislativas de 26 de setembro, ter buscado manter a comunicação aberta.
Espionagem russa se intensifica
Nos últimos anos, os serviços russos de Inteligência registraram um aumento em suas atividades na Europa, de acordo com especialistas.
No final de março, a Itália anunciou a expulsão de dois funcionários russos. Neste caso, um oficial da Marinha italiana foi preso em flagrante, quando entregava documentos confidenciais.
Vários diplomatas russos acusados de espionagem foram expulsos nos últimos meses de Bulgária, Holanda, Áustria, França e República Tcheca.
Em cada uma dessas ocasiões, Moscou respondeu proporcionalmente e denunciou as acusações como infundadas e “russofóbicas”.